Milhares de imigrantes e ingleses marcham em prol da anistia para ilegais

No feriado da segunda-feira, 4 de maio, cerca de 30 mil pessoas se reuniram na Praça Trafalgar, no centro de Londres, vindos de diferentes pontos de encontro da capital, para defender a anistia de imigrantes que permanecem vivendo e trabalhando no país ilegalmente. Em sua terceira edição, a marcha contou com a participação de políticos, ativistas, estudantes e profissionais liberais, ingleses, latinos, ibero-americanos, europeus, pretos, brancos, índios, mestiços, etc. A marcha é um evento promovido pela organização não-governamental ‘London Citizen’, sendo que outras 120 entidades também apóiam e auxiliaram na organização.

Um dos principais pontos de saída da passeata foi na catedral de Westminster, onde o Arcebispo de Southwark, Patrick Lynch, defendeu os direitos dos imigrantes argumentando que a igreja católica da Inglaterra e do país de Gales sempre apoiou e foi solidária com esses trabalhadores. O arcebispo também declarou que eles não devem ser ‘bodes expiatórios’ da crise mundial.

“Minhas preces de hoje vão para os trabalhadores imigrantes que não devem pagar pelos tempos de recessão e não devem ser alvos da frustração de outras pessoas sobre a economia atual”, completou Lynch durante a missa.

Durante seu sermão, o arcebispo Lynch avaliou que se trata de uma questão moral que trabalhadores ilegais, que estejam vivendo no país por cinco anos ou mais, deveriam ter a oportunidade de construir seu futuro com mais garantias e que possam continuar contribuindo com a sociedade inglesa com igualdade.

A missa foi realizada junto com outros serviços religiosos pela cidade, como parte das ações da campanha ‘Strangers into Citizen’, da ONG ‘LondonCitizen’.

Defensores da regulamentação acreditam que após um período de quatro anos sendo ilegal, mais um período probatório de dois, considerando outros itens como fluência na Língua Inglesa, ausência de ficha criminal, referências, etc, devem ser aferidas na decisão de anistiar o indivíduo.

Desde 2007, que a campanha ‘Strange into Citizens’, da qual a marcha é resultado, ganhou força junto ao Partido Liberal-Democrata e, também, com o atual prefeito de Londres, Boris Johnson, para desenvolver planos de regulamentação para estes imigrantes. Acredita-se que 450 mil devem conseguir asilo, caso o governo prossiga com o apoio a causa.

O órgão governamental que cuida das fronteiras do país, denominado Home Office, admite que é impossível remover 750 mil imigrantes ilegais que é acreditado existir hoje na Grã-Bretanha. Atualmente são deportados 30 mil ilegais por ano. Apesar dos dados, o ministério de imigração britânico e o Home Office vêm, cada vez mais, dificultando a entrada de imigrantes não-europeus no Reino Unido.